Descobri por acaso os truques abaixo, este tutorial parece ser inédito na Internet. Veja como fazer o efeito visual que marcou a década de 80 no After Effects, e sem plug-ins – porquê ainda não foram criados plug-ins que façam isso!… É uma coisa até que relativamente simples, acho que a maioria dos programas concorrentes do AE deve ter os efeitos que nós mostramos a seguir.

Coloque na timeline o logotipo ou padrão desejado, de preferência em preto e branco – e de preferência, branco com fundo transparente, como é o caso desse PNG. Embora o próprio programa possa inverter e recortar a figura caso ela não seja assim, isso pode tornar o processo um pouco mais lento. Para ficar mais rápido – e também porquê todos os vídeos da Salt Cover são assim – estamos usando a resolução 320 x 480. (A propósito, nenhum deles usou este efeito pra valer, só descobri como fazer isso este ano)

Clique na imagem para ampliar

O ponto de partida: um motivo em preto e branco

Temos uma única camada na timeline. Duplique essa camada com Ctrl-D. Vamos fazer modificações separadamente em cada uma dessas camadas, que deverão estar no mesmo lugar, ou ter a mesma animação. Essa arte pode até mesmo ser uma composição inteira do After Effects ou um vídeo pré-renderizado (de preferência, sem compressão).
O processo de trabalho é exatamente como no Scanimate: várias gravações diferentes superpostas, todas tendo como origem a mesma arte em preto e branco – a diferença é que aqui você pode trocar as camadas de lugar… no Scanimate você só tinha que começar a gravar tudo de novo. E aqui não tem fita de 2 polegadas pra amassar, então o céu – melhor dizendo, a CPU – é o limite!

Camada duplicada

Camada duplicada

Na camada que está embaixo, para este exemplo, vamos colocar um ramp [gradiente] entre dois tons apagados de azul, para realçar o efeito a seguir. Quase sempre o efeito de ‘brilho giratório era acompanhado de alguma espécie de degradê, inclusive aqueles ‘cromados’ que refletem um horizonte inexistente.

Degradê aplicado em uma das camadas, que está em solo

Degradê aplicado em uma das camadas, que está em solo

Na camada de cima, no menu de efeitos, use Generate > Fill. O padrão é vermelho, vamos colocar cinza. “Mas cinza não se obtém só baixando o brilho, com Brightness & Contrast?” Calma, Gafanhoto-san, vamos entender isso já já.

Agora, a camada 1 está em solo. O efeito Generate > Fill faz o branco da nossa base virar cinza.

Agora, a camada 1 está em solo. O efeito Generate > Fill faz o branco da nossa base virar cinza.

Acima desse efeito – ou embaixo, na guia – adicione o efeito Perspective > Bevel Alpha.

Bevel Alpha! Agora cheguei onde eu queria, certo?

Bevel Alpha! Agora cheguei onde eu queria, certo?

Mais ou menos. Você pode pensar que simplesmente animando o Light Angle do Bevel Alpha conseguirá imitar o efeito, mas não é isso que acontece.  Aqui, a luz se mantém constante em todas as direções, e no efeito orginal ela vai encolhendo até desaparecer, quando muda de direção. Exatamente como na vida real! Observe qualquer objeto brilhante (e redondo, de preferência, como a maioria dos logotipos de emissoras, sei lá, uma aliança, um relógio…) e veja como os reflexos se comportam. Se você vira, eles ‘encolhem’ e praticamente desaparecem.
E não existe nada parecido – até hoje – em matéria de plugins para AE que faça isto diretamente – a menos que algum desenvolvedor esteja nos lendo pelo Google Translate. Mas a imitação exata do efeito do Scanimate é possível, usando os próprios recursos do programa! É o que veremos a seguir:
Aumente o parâmetro Light Intensity do Bevel Alpha para tornar as linhas brancas mais fortes, e adicione o efeito Keying > Luma Key, na opção Key Out Darker, ajustando até a parte cinza desaparecer:

Lembra da imagem com o bevel? O Luma Key, aplicado no cinza, só deixou passar as bordas brancas

Lembra da imagem com o Bevel Alpha? O Luma Key, aplicado no cinza, só deixou passar as bordas brancas

A questão é: como limitar a ação do Bevel Alpha para que ele pareça desaparecer conforme o ângulo? Usando o Directional Blur e recortando-o com Luma Key.

Adicione o efeito Blur & Sharpen > Directional Blur (Motion Blur, em versões muito mais antigas do AE). O padrão do efeito é zero, ajuste o ângulo a 90 graus e o desfoque em um valor suficiente para as linhas na horizontal aparecerem mais fortes do que na vertical. O valor deve ser bem mais do que o mostrado, já que você certamente não fará seu trabalho profissional em 320×240.

A imagem já tem um Luma Key aplicado, e agora, está com Directional Blur (rapaz, e eu achava que os executivos usavam muitos termos em inglês)

A imagem já tem um Luma Key aplicado, e agora, está com Directional Blur (rapaz, e eu achava que os executivos usavam muitos termos em inglês)

Agora arraste o efeito Directional Blur e o coloque antes do Luma Key. Continue ajustando o blur, dê umas ‘voltas’ no Light Angle, até o efeito se tornar o que pretendemos: em vez de uma linha inteira, a projeção da luz se parecer com uma curva, ou uma lua crescente.

Agora o Luma Key está recortando o Directional Blur

Agora o Luma Key está recortando o Directional Blur

Vamos tirar o solo da camada de baixo: veja como o nosso motivo originalmente em preto e branco puro já está se parecendo com algo vindo daquela época!

Agora já dá pra pensar na trilha sonora, mas aí já é com o Reason ou o Sonar...

Agora já dá pra pensar na trilha sonora, mas aí já é com o Reason ou o Sonar...

Com tudo isso, agora sim é o momento de animar o Light Angle do Bevel Alpha. Como o Directional Blur está em +90 graus, vamos animar de -90 a +90 graus. Só girando o ângulo você já nota o que vai acontecer.
Mas para o efeito ser mais convincente, ele deve ser combinado com uma variação de Light Intensity, que vá de zero, a 1 (valor máximo) no meio, e a zero de novo no final.

A variação de luz, combinada com a limitação do Bevel Alpha, reproduzem com fidelidade o efeito mais usado da era pré-Video Toaster.

A variação de luz, combinada com a limitação do Bevel Alpha, reproduzem com fidelidade o efeito mais usado da era pré-Video Toaster.

O efeito terminado. Claro que a tipografia ajuda um pouco, mas é isso aí.

O efeito terminado. Se você não está vendo animação nenhuma, clique na imagem. Claro que a tipografia ajuda um pouco, mas é isso aí (afinal não existia Arial Black nos anos 80).

E o efeito está pronto. Mas é claro que isso é só o extremamente básico. Nos vídeos que conseguimos ver, há efeitos extremamente elaborados, que dá a impressão de terem usado mais de 4 ou 5 camadas simulando a reflexão de luzes.

Outras dicas interessantes: adicionar o efeito Stylize > Glow na camada onde está o Bevel Alpha (pena que esse efeito seja meio complicado de usar).  Ou usar o efeito Channel > Minimax, que engrossa ou afina (de maneira bem grosseira, mas serve) os contornos dos motivos utilizados, o que dá uma sensação a mais de profundidade e relevo.

E é isso aí, você aprendeu a como fazer, com os computadores de hoje, um efeito dos computadores da velha guarda (só oito, e apenas 3 nos Estados Unidos…), que marcou a TV e os desenhos animados dos anos 80. E que sumiu, quando chegaram novos equipamentos no mercado. Sumiu até agora, depois deste tutorial, acho que muitos vídeos de casamento por aí nunca mais serão os mesmos…

Valeu, pessoal, e  obrigado Image West e Dolphin Productions , pela inspiração,  estejam onde estiverem.  Saiba mais sobre o Scanimate neste site, mantido por uma pessoa que fazia manutenção na empresa Image West e que usa um deles até hoje. Ainda compro os DVDs!!


1 Resposta para “Fazendo o “Brilho Giratório dos anos 80″ no After Effects”



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