01
mar
06

Polishop, sara a nossa terra!

“Querido leitor…” Pois é, esse é o nome do phamosésimo blog de Rosana Hermann. Uma pessoa que fez parte da minha vida… só ela mesmo para fazer um adolescente revoltado rir um pouco, com o Caqui Amora, Fique por Fora (sátira do boletim jornalistico diário Fique por Dentro, feito pelo pessoal do Globo Repórter em 1992) e Djalma Jorge Show, embora eu só tenha pego a fase pós-1993. E nesse blog, um comentário me chamou a atenção sobre um tema controverso e muito caro para mim. Mesmo porquê, os meios para se chegar lá não são nada baratos.
Rosana estranhou a forma phísica – ou melhor, tísica – excelente de algumas das mulheres que ela encontrou no carnaval. Esse pessoal, sabe, as passistas, destaques, o pessoal da bateria, etc. Segundo ela, parecia que quase todas elas tinham a pele colada no esqueleto. Não assisto o Carnival pela TV, mas mesmo pelos jornais eu já notei essa tendência do pessoal da linha de baixo do Equador finalmente começar a se parecer com aqueles alienígenas que phazem os comerciais dos trocentos aparelhos abdominais da Polishop.
O que acontece? Quem comenta lá é um público maior, mais diversificado e, puxando a brasa para a nossa sardinha, muito mais chato do que os que comentam aqui. Sei lá, os comentários foram em uma linha simplista, do tipo “ah, é fácil, exercícios físicos e fechar a boca”.

Alto lá. “Fecha a boca já morreu”, como diziam as crianças do meu tempo. Se tem uma frase que me irrita é essa.

E é aqui que eu começo a meter-me nessa questão. Nasci gordo, e infelizmente mantive as proporções conhporme ia crescendo. Nunca gostei disso, mas por outro lado, nunca gostei também do que me faziam ingerir para que eu contrariasse a minha própria sina. Não sei se minha mãe se sentia pressionada pela sociedade, pois ela não é gorda. Sei lá, mas também isso aqui é um blog, não um divã freudiano.
Durante vários anos só pude comer pão integral – algo que todos dizem que é saudável. É, mas eu não gosto. Entre o “pão de manta asfáltica”, como eu o chamo carinhosamente e o “ding dong” (nossa, esse nem existe mais!) eu fico com a segunda opção, com certeza total e absoluta, além de uma resplandecente cara de pau, com muito orgulho e com muito amor. Não fumo, não tomo bebidas alcoólicas e não uso drogas, portanto, sou inocente perante a sociedade, ora bolas!!!
E não estou cavando minha própria sepultura, porquê se tem algo que eu não gosto mais do que alimentos
de paladar duvidoso e que fazem barulhos contundentes, é da ressaca por ter comido demais.

Hoje não sou exatamente uma “bola de praia”, tenho uns 112 quilos, mas o fato é que eu sou um “gordo sem graça”; não sou tão gordo ou tão magro que possa tirar proveito disso. Por tudo isso é que as histórias e os personagens que crio são como são, o que eu chamo de “super heróis da vida real”. O sonho que eu tinha na minha infância era fazer cultura física, pra vocês terem uma idéia. Só que eu cometi o erro de guardar isso apenas para mim, sem que meus pais jamais soubessem disso.

E o que tudo isso tem a ver? Tudo a ver, já dizia Patrícia Maldonado.
O que vem acontecendo com boa parte das mulheres do sexo feminino que fazem o Carnival brasileiro ser o que é, é uma convergência entre os exercícios aeróbicos e a cultura física. E é isso que os comentadores do blog de Rosana Hermann não disseram!
Não pratico cultura física, mas fui atrás do tema – isso há vários anos, sem Internet, até chegando a comprar revistas sobre o assunto. E notei que, fora os exercícios específicos, horas e horas nos aparelhos, a alimentação especial é que é o grande “tchans” da cultura física. Você já deve ter visto em lojas de produtos naturais, aqueles baldes enormes com gráficos chamativos. Esses são alimentos, ou suplementos alimentares, feitos especialmente para acelerar a queima de gordura corporal e aumentar a massa muscular, que são principalmente ricos em calorias e praticamente sem gordura. As calorias dão a energia para a pessoa fazer os exercícios, mas sem a gordura, que geralmente acompanharia as calorias se estas fossem buscadas através dos alimentos tradicionais que você e eu comemos.
O que acontece é que esses suplementos alimentares estão começando a ser adotados pelo público da ginástica em geral, que não faz exercícios para a hipertrofia dos músculos, e sim com outros fins (força, agilidade, resistência, etc.). O resultado está aí, nas passarelas e nas ruas, como constatou Rosana Hermann.
Me sinto o próprio cronista esportivo agora, que nunca chutou uma bola, mas dá verdadeiras aulas sobre futebol…

Mas é por aí que acontece. Esses suplementos não são nada baratos, muitos deles são importados. E já tive a impressão de que o patrocínio que muitos fisicultores buscam aqui no Brasil seja, principalmente, para comprar esses suplementos aí! Academia, os caras aprendem como é que se faz os exercícios, gastam uns 2000 reais uma única vez e são capazes de montar uma sozinhos, já esses suplementos aí…
Lembrando que não estou falando de “bomba”: aí já e outra coisa, que age nos músculos – aqui, os suplementos são para a queima de gordura. Um processo totalmente antinatural… porquê, a menos que você tenha nascido em Marte, nós fomos feitos para o acúmulo da gordura. Antinatural, porém extremamente aceito pela sociedade pós-moderna. Ou vai dizer que você queria ser mais gordo? “O que você faria com alguns quilinhos a mais?…”

Se isso é bom ou é ruim? Faço a mínima idéia. Mas acho que vão se passar alguns séculos até que volte a ser moda a nossa sociedade admirar os gordos de novo, como acontecia na idade média. Até lá, como diria o filósofo Chaves of the Eight, “cada um sonha com aquilo que lhe faz falta”.

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