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Igor C. Barros, sua vida, sua obra: a era MSX

Antes de mais nada, pra vocês que nasceram a partir de 1990, MSX não é dissidência de nenhum movimento de sem-terra… quer dizer, pode até ser, já que a tomada dele não era de três pinos! MSX foi um padrão de computadores de 8 bits criado na década de 80, no Japão pelo consórcio Matsushita, Sony e Microsoft (BASICamente é isso) e que durante alguns anos, superou a maioria dos PCs da época com suas especificações! Padrão? Exatamente, assim como as pessoas tem PCs hoje em dia da X5 computadores, da Whitebox, da Itautec e todos eles são compatíveis entre si (menos os Aptivas, mas aí é outra história…)

Ao contrário das outras centenas de computadores da época, o MSX tinha memória separada pra vídeo, o que fazia ele fazer isso mais rápido que outros computadores semelhantes. Isso fora várias outras coisas: o MSX já era capaz de tratar sons e imagens como arquivos, a programação já previa o uso de touch pad (nunca vi um desses, mas o comando existe!), e foi em um MSX que foi lançado o primeiro drive de 3½ polegadas do mundo, em 1984. E mais, através de um MSX 2 foram feitas as primeiras capturas de telas de TV do Brasil, no ano de 1988 (veja mais no site do autor da façanha, Ademir Carchano)

E o meu primeiro contato com esse universo foi, como a maioria das pessoas: através de um Expert, da Gradiente. Com o qual me maravilhei, pois vinha do universo incompreensível do Commodore 64, que o meu pai só entendia o básico e olhe lá. A “expreteza” do Expert, era, segundo a legislação, ser um videogame com teclado – se fosse tratado como “computador”, custaria muito mais. E para mim não custou tanto assim, pois o computador surgiu lá em casa através do serviço de Videotexto, da antiga e memorável Telesp, empresa na qual meu pai trabalhou mais de 20 anos, e no mesmo prédio que não era a sede da Telesp, mas que a Telefônica escolheu para ser a sua sede hoje em dia.
(A propósito, o Expert da Gradiente tem uma tecla, “SELECT”, que não serve pra nada, vocês acreditam?!…)

O Videotexto era uma espécie de avô da Internet. Apenas caracteres de texto e gráficos de baixa resolução, com 16 cores de frente ou de fundo, recursos como dupla largura, dupla altura ou os dois combinados… e só. Os usuários, curiosamente, não podiam digitar letras minúsculas, nem ponto de exclamação. Textos assim só apareciam na tela, pré-editados pelos chamados FSs – Fornecedores de Serviços, algo como os webmasters de hoje. O grosso dos serviços estava no telefone 148 da Telesp, mas também haviam fornecedores independentes, como Videobrás e Telerádio – fora o Sampinha, que só consegui acessar uma única vez e era todo em preto-e-branco. Tudo isso com um modem externo de 300 bauds (míseros 0,3 Kbps, quase a velocidade da banda larga que eu tenho atualmente… âhrrrrr…)

Aí um belo dia eu descubro, vejam vocês, que o MSX funcionava sem o cartucho phornecido pela Telesp… e de 1988 a 1990 eu acabei me tornando quase que um programador. Quase, porquê eu era ligeiramente “gonorante” demais em comparação com o pessoal que realmente manjava de computador naquela época. Já me preocupava mais com visual do que com programação e sentia muito as limitações da parte gráfica do MSX, como só poder ter uma cor a cada oito pontos na horizontal, na tela gráfica. Não sabia tanto de Basic quanto deveria (ironicamente o nome permanece até hoje, como Visual Basic, um programa que faz programas para Windows). Outras linguagens de programação, como Cobol, Assembler? Ih, esquece… não fosse pelo pouco que eu sabia de Basic, eu seria um poser, tal qual Phernando Pessoa (O poeta é um poser, que posa tão completamente, que chega a posar que é dor, etc., etc..)

Por ter um MSX graças ao Videotexto (em vez de ter comprado um na loja), nunca me preocupei em fazer como muita gente fez, e comprar uns kits de transformação para MSX 2. Mesmo porquê, vou confessar pra vocês: quando esse negócio começou, eu tinha 11 anos. E não eram 11 anos de programação, eram de idade mesmo!!! Sem chance… embora fosse leitor ávido das revistas Micro Sistemas e CPU MSX. Na verdade, assim como aconteceria mais tarde com Napster, YouTube e Orkut, eu entrei “no final da festa”… o boom do MSX no Brasil foi por volta de 1986, e em 1990 os PCs já começavam a superar os MSX 1 brasileiros, com o lançamento de games como F-1 GP e Prince of Persia (até então, PC era considerado “computador de trabalho”).
E a era MSX na minha vida acabaria em 1992, quando passamos a usar um PC-AT 286. A “World Wide Web”, que conhecemos atualmente e aonde você está neste momento, surgiria no ano seguinte, nos EUA.

Mas a minha surpresa viria já no século XXI. Por incrível que pareça, muitos programadores usam MSX até hoje ao redor do mundo (MSX 1, 2 e 3, fora o não-lançado MSX 4, só acessível via emulador) e só não fazem chover com seus equipamentos. Hoje em dia, até este blog pode ser lido por um MSX! Até jogo de Sonic o MSX já teve (“Sonyc”, para MSX 2), e em 1997 (nessa época os bebês já diziam CD-ROM antes de “Gugu Dadá”!) É um pessoal que deixaria o Professor Pardal no mínimo, confuso. Ou melhor: os “Nerds”, daqueles filmes, acabam de virar um bando de ignorantes e alienados… Em breve voltaremos com esse assunto, aguardemmmm

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