Assim como o gerador de caracteres da Rede Globo (veja na seção Rede Rounded), este assunto também tem “tudo a ver” com a Salt Cover (emissora fictícia criada por mim, atualmente em estado de coma). Embora eu só tenha descoberto o que seria isso em 2006, no YouTube – infelizmente, outros sites de vídeo ainda estão devendo muito no que se refere a este assunto.

O Scanimate foi um dos equipamentos que originou a computação gráfica – era um computador analógico, embora eu diga que a “computação gráfica” em 3 dimensões mesmo é totalmente do que o Scanimate faz. O Scanimate é apenas um equipamento de manipulação livre de imagens. Esqueça vetores, renderização, essas coisas…

[Atenção: Em 2009 foi lançado um livro de grande sucesso, de Rufus Butler Seder, chamado Galope!, que usa uma técnica chamada de scanimation para gerar animações em 2D nas páginas do livro, e é provável que por causa disso, você tenha vindo parar aqui. Esse termo pode, eventualmente, também se referir às animações computadorizadas e gravadas em videotape pelo equipamento Scanimate, ou suas técnicas de animação e manipulação de imagens, que nada tem a ver com o livro de Seder.]

Eu mesmo já fiz “brincadeiras” no meu serviço que se parecem muito com o que vamos descrever aqui, ligando um switcher de vídeo em outro, gerando realimentação de sinal. Eu e a Televisa, nos anos 70… era assim que era feita uma das vinhetas da emissora, exibida antes do programa “Chaves”.

Muito embora você talvez já tenha visto o que o Scanimate faz muitas vezes por aí, e talvez tenha até achado natural, nem percebido que haviam efeitos especiais ali… e produzidos por computador – mesmo que fosse um computador analógico. Ou você acha que aquilo na vinheta do He-Man é o quê, purpurina?…

O Scanimate foi criado em 1969 por Lee Harrison III, fundador da empresa Computer Image Company (1). E apesar de terem sido produzidos apenas 8 sistemas Scanimate, e apenas 3 deles estarem à disposição de todas as emissoras de TV e produtoras dos Estados Unidos, seu uso, vejam vocês, acabaria apenas por volta de 1987 –  dezoito anos, portanto, uma eternidade em se tratando de informática!

O Scanimate é composto por um rack (padrão, de 19 polegadas) no qual são colocados todos os módulos necessários ao funcionamento do equipamento.
Não muito diferente dos primeiros sintetizadores de áudio, que também eram modulares. Mesmo porquê muitas funções do Scanimate eram programadas através de patch panel, um painel com conectores interligados por cabos. Exatamente como o clássico painel das telefonistas, só que nesse caso, com sinal passando pelos cabos – por isso que, até hoje, os timbres em sintetizadores são chamados de “patch”.

Uma câmera em preto e branco filma o motivo a ser utilizado – uma folha de papel, com o logo de uma empresa qualquer, por exemplo. E o sistema jogava diversos efeitos: chroma key, distorção nos três eixos, colorização (com ou sem degradês), bordas, inversão, etc. Além do mais básico deles, a realimentação do sinal de vídeo, que multiplicava a imagem criando uma ilusão de perspectiva. E tudo isso que eu falei podia também ser aplicado a um sinal de vídeo em cores pré-existente (é meio difícil ver esse tipo de animações, mas elas existem).
Uma outra câmera, desta vez em cores e de excelente qualidade para a época (500 linhas)  gravava a imagem exibida por um monitor de alta resolução, e era a partir dessa segunda captação de imagem que os efeitos eram aplicados.  Nessa câmera podiam ser colocados filtros de efeitos comuns usados em câmeras, que davam um aspecto todo especial às vinhetas, como o filtro “estrela”, por exemplo. O foco e o zoom dessa segunda câmera também podiam ser alterados, criando novos efeitos.
Por causa disso, havia um quê de surrealismo em algumas vinhetas, que mostravam imagens irreais, mas com alguns reflexos e luzes totalmente realistas, graças ao filtro estrela na câmera em cores e aos “artifacts” (em tradução livre, defeitos especiais) que surgem quando qualquer câmera filma uma imagem brilhante – isso não existe na computação gráfica digital, que sempre gera imagens absolutamente perfeitas.

Além disso, são (eram, melhor dizendo) usados, para gravar as imagens, dois aparelhos de videotape IVC-9000, talvez os melhores VTs analógicos do mundo. Bem, mas isso não foi o suficiente para a empresa International Video Corporation falir e deixar o pessoal na mão em relação á assistência técnica…
Esses VTs “geravam” (copiavam) as imagens centenas de vezes até que se notasse alguma perda na qualidade das mesmas (o sistema Betacam SP permite até 6 gerações de imagens sem perda), e usavam fitas de 2 polegadas (como as do sistema Quadruplex), mas lidas e gravadas com a cabeça inclinada, como no sistema de 1 polegada, enfim, combinavam o melhor dos dois sistemas. Pena que esse sistema não pegou. O resultado, portanto, tinha que ser copiado para outros sistemas mais familiares, como Quad e 1″, para poder ser usado pelos clientes.

A maior diferença entre o Scanimate e os métodos que o antecederam, era que o Scanimate criava animação em tempo real e em 60 frames por segundo (mais precisamente 29.97 frames entrelaçados), algo que seria desumano para um animador de desenho animado convencional fazer. Aliás, eles só não perderam o emprego porquê o Scanimate só fazia uma cor de cada vez (ou um degradê de cada vez).  Aparentemente a única limitação era esticar a imagem na vertical, porquê aí ela estourava e virava um monte de linhas – revelando como o Scanimate faz a distorção, por linha horizontal. O resto das distorções, o céu e o conhecimento de matemática dos engenheiros eram os limites.

O Scanimate memorizava os movimentos que eram programados e reproduzia eles na velocidade desejada. Não sei quantas etapas o equipamento memorizava, de repente era só uma de cada vez e isso seria editado, sei lá.

O resultado dessa animação em tempo real era gravado, e, se necessário, era usado como “layer” (camada) abaixo de uma nova animação, e assim por diante. Muito provavelmente, o switcher padrão, que faz parte do equipamento, trocava as entradas dos VTs, pra não precisar trocar as fitas dos aparelhos, “muito fáceis” de serem transportadas… (2 polegadas é 4 vezes a largura de uma fita VHS, e em um carretel aberto).

Falei de desenhos animados acima. Na verdade, o Scanimate e seus efeitos foram um grande atrativo em aberturas e durante alguns desenhos animados dos anos 80. Ué, aonde? Cada vez que você vê um logotipo desses com um brilho que anda na horizontal ou gira (às vezes chamado de “Rotating Gold Bar”, por causa da vinheta da Dick Clark Productions, que era assim), pode ter certeza que você viu mais uma obra do Scanimate. Não entendeu? Algo mais ou menos assim:

Sem sombra de dúvida, a produtora de desenhos animados que mais usou e abusou do Scanimate foi a Filmation (de He-Man, She-Ra, Caça Fantasmas do SBT, e várias outras séries que vieram antes) que também abusava de outras técnicas controversas de animação, como a rotoscopia (animação feita por cima de movimento de atores).
Embora o assunto Scanimate não seja abordado nos sites sobre a Filmation, os efeitos dos quais falamos aqui não ficaram só restritos às aberturas, mas também foram usados dentro dos episódios, à granel (poupando MUITO trabalho dos animadores, verdade seja dita, mas também dando um charme todo especial à essas hoje tão desprezadas produções.)

Esse tipo de efeito foi completamente aposentado com a chegada dos computadores digitais no meio de vídeo e hoje é considerado “retrô”. Embora ainda esteja presente nas vinhetas de alguns estúdios de cinema, que continuaram as mesmas anos depois que aposentaram os Scanimates. Mas é menos retrô do que…

… a obra original do Scanimate, que às vezes, não fossem os contornos “cheios”, lembra um osciloscópio ou um monitor de batimentos cardíacos. Com propriedades semelhantes, inclusive – dá pra “desfocar” o sinal e fazer ele ficar mais tempo na tela, nesses equipamentos, mas isso é o próprio sinal e não a câmera de re-escaneamento.
(As imagens que ilustram este tópico foram criadas por mim em um programa moderno de gráficos, que não tem nada a ver com vídeo.)
Dá até a impressão de que usar o Scanimate para gerar efeitos “metálicos” foi descoberta de alguém e aí todos os outros correram atrás.

O After Effects, o “bisneto” do Scanimate, permite a criação de alguns efeitos até que bem parecidos com os da máquina original. Efeitos desse programa, como o “Colorama” são praticamente a herança do Scanimate para as gerações futuras.  Já fiz um tutorial falando sobre isso (veja no cabeçalho do blog). Outros efeitos que foram idealizados no Scanimate, acabaram se tornando opções em mesas de efeito, como telas em perspectiva, colorização, superimpose, chroma key, manipulação de cor e contraste, movimento em etapas memorizadas, etc. Eu diria que as mesas de efeito de hoje em dia, inclusive as mais avançadas, são Scanimates sem graça…

Scanimate: Não é do Brasil sil sil sil!

O Brasil usou muito mais o sistema Scanimate do que se imagina. Aparentemente, todas as emissoras de TV daqui que chegaram a fazer uso disso, foram às duas únicas opções que havia nos EUA para usar o Scanimate: a Dolphin Productions, de Nova Iorque, e a Image West, de Los Angeles – desconfio que o SBT e os outros foram pra lá.

A primeira vinheta da Rede Globo com o símbolo atual, criado por Hans Donner, foi feita pela Dolphin, em 1976 ou 1977 (falta o site Memória Globo estrear essa parte de vinhetas!!). Nessa, o logo da emissora era de vidro (mesmo, filmado por uma câmera), e a recém-criada logomarca REDE GLOBO parecia se retorcer ao redor da esfera, até se endireitar e flutuar. Aliás, se essa vinheta começar a passar mais frequentemente no Video Show, a culpa é nossa mesmo, belêz??

“Ué, mas eu me lembro das outras, e não eram assim!” É que, pouco depois disso, a Rede Globo optou por fazer as coisas de uma forma diferente, usando equipamentos de desenho animado (máquinas Oxberry) aqui no Brasil, e de computação gráfica (essa mesma, digital, dos dias de hoje) nos EUA, e a partir de 1987, no Brasil. O lance das máquinas Oxberry fazia parte do know-how de Hans Donner, era assim que ele fazia as criações dele, desde a TV austríaca. Aí nasceram todas aquelas vinhetas, como as dos tubos coloridos, e coisa e tal, que também foram utilizadas pela Tele Monte Carlo.

"'11" da TVS Rio, llupado de uma emissora do Alabama.

"'11" da TVS Rio, originalmente de uma emissora do Alabama, reconstituído por mim.

Várias vinhetas do SBT e da Record dos anos 70 e 80, incluindo as da TVS canal 11 do Rio de Janeiro, também usaram o Scanimate. O detalhe curioso é que as da TVS eram, digamos, meio plagiadas de vinhetas de outras emissoras dos EUA, incluindo as trilhas sonoras. O logo “11” da TVS Rio era o mesmo de uma emissora do Alabama, a WBAL (reconstituído por mim ao lado), da mesma forma o “4” dos primeiros anos em São Paulo, usado por uma emissora de Nova Iorque. Bem, mas isso é com o Sílvio… (na verdade, 0 4 é um dos símbolos mais tradicionais de qualquer emissora que tenha esse canal em VHF nos Estados Unidos.)

As melhores, pra mim, são as da Record (fase Paulo Machado de Carvalho/Silvio Santos), pela originalidade: elas tem fundo azul, em vez do invariável fundo preto de 99% da obra do Scanimate.  Como elas são bem diferentes das da Globo, abusam de efeitos metálicos, que não foram usados por Hans Donner e cia., eu desconfio que elas foram feitas pela Image West. Por “efeitos metálicos” entendam-se gradientes em movimento, que o Scanimate foi o primeiro a criar, esse tipo de efeito posteriormente seria incorporado à outros equipamentos.

VIDEO TOASTER: O APRENDIZ QUE NÃO APRENDEU TODOS OS TRUQUES DO MESTRE

O sucessor direto do Scanimate foi, possivelmente, a Video Toaster, placa de vídeo para computadores Macintosh, fabricada pela empresa NewTek – que existe até hoje, como fabricante de ilhas de edição não-linear. Esse equipamento já era digital (of course) e fazia alguns dos efeitos idealizados pelo Scanimate, como telas em perspectiva, mas com maior nitidez (na verdade, dava no mesmo a ligeira perda de nitidez do Scanimate original em sistema IVC e a gravação da Video Toaster em U-Matic, sei lá) e, principalmente, com menos dinheiro – afinal, qualquer um com um micro Macintosh da época poderia fazê-lo, sem precisar contratar empresas como a Dolphin e a Image West, ainda que o custo fosse relativamente baixo. O curioso é que, como vimos, demorou muito pra isso acontecer, a Video Toaster foi lançada em 1987, apenas.
(Ah, e quem não quisesse usar Scanimate, contratava então os serviços da Pacific Data Images, que fazia computação gráfica digital em 3 dimensões desde o final dos anos 70. Não faço idéia da diferença de custos de uma coisa para a outra.  Até 1987 as vinhetas de CGI da Rede Globo eram feitas por essa empresa);

O Scanimate tinha lá seus problemas, fora a questão da linguagem – com tantas opções, era muito fácil fazer uma bela porcaria videográfica, cheia de efeitos que não tinham motivo para estarem ali.
Mas, me desculpem, ele foi muito mal substituído, e até hoje, existem coisas que só o Scanimate é capaz de fazer!

Um pheliz proprietário de um Scanimate – que funciona! – é Dave Sieg, do principal site sobre o assunto na Internet, que desde 1979 fazia assistência técnica desse sistema na Image West.
A diferença da Image West para a Dolphin Productions é que a Image West usava DOIS Scanimates interligados, nenhuma outra produtora no mundo tinha isso, portanto a IW pode ser considerada a maior produtora do gênero. Não duvido que Filmation, Record e SBT (fora outras milhares de emissoras e empresas de várias partes do mundo) tivessem batido cartão lá em Los Angeles. E não duvido que Silvio Santos já tivesse sentado no famoso sofá da Image West onde os clientes davam palpites sobre ajustes nas vinhetas!
Sieg produziu um DVD que além de contar a história desse equipamento, mostra do que ele era – e ainda é – capaz – o GC desse DVD é todo feito no Scanimate dele, que tem algumas adaptações, como câmeras de CCD.
O DVD é 20 doletas, e já tem o volume 2. Muito barato, perto de seu conteúdo – inclusive com a recente disparada do dólar. Alguns brasileiros que eu conheço já o adquiriram. Me aguarde, Dave!…

Se você tem mais de 30 anos, já cansou de ver isso em vinhetas de cinema e desenhos animados.

Se você tem mais de 30 anos, já cansou de ver isso em vinhetas de cinema e desenhos animados.

A propósito: algumas pessoas já me disseram que efeitos como a chamada “barra de ouro rotativa” não seriam feitos pelo Scanimate, e sim usando outros métodos, como o slit scan. Eu também pesquisei a respeito do slit scan, mas acontece que no DVD “The Dream Machine”, produzido por Dave Sieg, existem diversas vinhetas justamente com essas características. Recentemente, depois de muitas tentativas, consegui reproduzir esse efeito no After Effects, e um tutorial disso já está neste blog (veja no cabeçalho).

Mas uma surpresa para mim foi o que diz a Wikipedia em português: mais 2 dos Scanimates ainda funcionam e são usados para pesquisa – só o de Sieg, portanto, celebra a vida e a obra desses 18 anos de muitas emoções.
E um dos que não funcionam mais está, quem diria, no Museu da TV, em Brasília! Será que tem conserto, rerere?… Enfim um motivo para ir à Brasília, além de fazer lobby.
Esse mesmo museu também guarda o que sobrou da primeira câmera da TV brasileira: a lente, quebrada e resgatada de um incêndio. Um, dos vários. Se o Brasil tivesse um Scanimate quando o equipamento ainda estava em voga, eu não duvido que este teria pegado fogo…

Além de tudo isso que eu falei, Scanimate também é o nome de um programa de computador (digital) que faz “morphing” de imagens, destinado a animação tradicional de desenhos animados, e também é uma palavra que tem a ver com o mercado de navegação de carga. Achei alguns sites disso ao pesquisar sobre o assunto, ainda muito concentrado no site de Dave Sieg. A internet ainda não está muito scanimada a respeito do assunto… (tá, foi mal, dscurpaê.)

O videoclipe DVNO da banda Justice é totalmente feito de vinhetas que satirizam os anos 80, principalmente vinhetas de estúdios de cinema, muitas das quais usaram o Scanimate. Procure, nos melhores sites, ou passando na EmTiví mesmo. O clipe em si eu acho que não foi feito nesse sistema. Só se o Dave Sieg teve algo a ver com isso! E se teve, deve ter ganhado uma nota.

Os plug-ins Sapphire, da GenArts, para After Effects (e outros programas similares, como Final Cut), podem ser considerados uma das maiores homenagens ao Scanimate que eu já vi. QUASE tudo que o Scanimate podia fazer esses plugins fazem, e com resultados muito parecidos!  São a série mais “utilizável” de plugins que existe para o AE.  O chato é que esses plugins são tão cobiçados, que as versões piratas deles são usadas para passar vírus – o que não é comum nesse meio! Provavelmente, se você achou algum por aí, é fria, psit. Esta aí uma boa dica para a sua produtora de vídeo, principalmente se você tiver uns 4000 reais sobrando.

Falta a GenArts, ou outro desenvolvedor, criar plugins para as coisas que só o Scanimate continua capaz de fazer, como distorção da imagem por linha horizontal nos três eixos, pra fazer a imagem ser como, por exemplo, 480 cilindros que podem ser distorcidos e posicionados livremente. Quem sabe?

Olha o Scanimate aí, gente!

Já falamos dos desenhos animados da Filmation, que provavelmente foram os maiores usuários do Scanimate – a produtora em si surgiu em 1963.  Esses  caras o usavam PRA CARAMBA, será que eles não tinham um só pra eles, não? Ou a TV Azteca do México (eles tinham o quarto Scanimate das américas) faziam um precinho camarada?… Sei lá!
Bem, veja outros usuários famosos do mais lisérgico computador de efeitos especiais do mundo:

  • A primeira abertura do programa Chespirito, exibida durante mais de 10 anos (1980 a 1991), teve no fundo, fogos de artifício (meio fakes, mas tá valendo)  gerados por um Scanimate. Essa abertura foi vista no Brasil quando o programa foi exibido em 1997 pela CNT. A impressão que dá é que um raio laser está fazendo a animação, mas essa tecnologia de lasers animados ainda não existia em 1980, quando o programa começou, e sim, o Scanimate, que  estava em plena forma. Mas que o Scanimate imita lasers com perfeição, isso imita… O programa é da Televisa, rival mais bem-sucedida da TV Azteca. Conheça alguns equipamentos de laser bem bacanas aqui.
  • Algumas poucas vinhetas da Rede Globo, além daquela que nós dissemos, mesmo com a maioria das coisas sendo feitas no Brasil usando a máquina Oxberry, foram feitas na Dolphin Productions. Detectamos, por aí, as aberturas dos programas Domingo Aventura, Sessão Aventura, Sessão Comédia Nacional, Primeira Exibição (a pior de todas, essa deu vergonha de ser brasileiro) e Rock Concert, além da antiga vinheta de encerramento da emissora, a da esfera dentro de um cubo de vidro ou acrílico, sei lá, nessa versão não era dada a programação do dia seguinte.
    No geral, artisticamente falando, palmas para Hans Donner e equipe, porquê essas aberturas são bem superiores à média dos clientes da Dolphin, são muito melhores, não envelheceram tanto quanto as vinhetas americanas, e muitas delas usavam músicas típicamente brasileiras.
  • Quando a Estrela da Morte explode, em Star Wars (aquele, dos anos 70), um anel surge ao redor da explosão, deixando um rastro. Epa, efeito de arrasto no cinema? Olha o Scanimate aí, gente! (Me disseram que o Scanimate também era usado com câmeras cinematográficas em vez de vídeo, preciso pesquisar melhor como se fazia isso.) Segundo Dave Sieg, essa é a cena mais conhecida do cinema em que o Scanimate foi usado. Bem, eu discordo, porquê…
  • O musical Xanadu, de 1981, com Olívia Newton-John e participação de Gene Kelly, deve ter sido uma co-produção com a Image West ou algo assim. Efeitos especiais aparecem durante quase 40% do filme, como o brilho cor de rosa que acompanha a personagem de Olivia, e esses efeitos não são possíveis de serem feitos a não ser com o Scanimate, principalmente naquela época. Há uma parte do filme que se passa em um lugar indefinido (no caso, o “Olimpo”… assista e você vai entender), onde todo o cenário praticamente é feito com padrões distorcidos pelo equipamento. Uma antecipação dos cenários virtuais?…
  • Na versão original de A Fantástica Fábrica de Chocolate (com Gene Wilder), quando os Oompa-Loompas cantam a respeito de se assistir televisão demais, tudo aquilo que se vê na tela do televisor é obra de um dos 8 Scanimates – melhor dizendo, um dos três nos Estados Unidos. E olha que aquilo foi relativamente fácil de fazer, já que usou apenas um layer de cada vez. Hoje em dia, um After Effects 3.0 ou anterior faria igual.
    (Rapaz, sabe quando as pessoas falam que têm medo do Fofão, da vinheta do plantão da Globo, etc, etc.? Nunca tive medo de nenhuma dessas coisas. A única coisa que me deu medo na minha vida foi esse filme aí!)
  • Programas infantis da época eram uma festa, como The Electric Company (totalmente desconhecido por aqui, aliás, muitos acham esse programa um horror para os padrões atuais) e Vila Sésamo, em quadros educacionais apenas narrados e protagonizados por videografismos. Não acredito que alguma aparição do Scanimate em VS tenha sido exibida na versão brasileira do programa.
  • O videoclipe de Blame it on the Boogie, dos Jacksons Five, foi parcialmente feito pela Dolphin Productions. A imagem dos cantores é repetida várias vezes ao fundo, como uma realimentação de vídeo, por obra e graça do Scanimate. Mas é menos lisérgico do que a animação de trocentas toneladas de massa de modelar em “ABC” (a música, não a emissora).
  • Eu já vi um “THE END” em alguns episódios da série “clássica” da Pantera Cor-de-Rosa que é simplesmente IMPOSSÍVEL de ser feito de outra forma que não usando o Scanimate. Com certeza, deve ser de episódios a partir de 1969.
  • Para muitos, o Scanimate é uma coisa “brega”… na parte de áudio! Mesmo com ele manipulando apenas o vídeo. É que em vinhetas de emissoras de TV, produtoras de vídeo e cinema, a tecnologia do Scanimate, que era uma coisa extremamente futurista (pra mim, mais futurista do que o próprio século XXI de verdade…) era acompanhada de sintetizadores, que, como direi… você tem que ser EXTREMAMENTE FÃ de Sir Robert Moog ou de Jean-Jacques Perrey pra gostar da trilha sonora de algumas dessas vinhetas sem torcer o nariz. Deve ter sido por causa dessa gente que surgiu o movimento Unplugged!… O pessoal achava que combinando o sintetizador de áudio com o Scanimate, um “sintetizador de vídeo”, eles passariam seu recado de futurismo. Ah, se eles soubessem que quando o século XXI de verdade chegasse, seria exatamente o contrário e o pessoal sentiria saudade daquela época

E, por enquanto, é isso aí.


10 Responses to “Scanimate: Que bicho é esse?”


  1. 1 Arnald
    22 de outubro de 2008 às 10:07 am

    Olá. Eu vi o video clip do Justice:Dvno na MTV dai pesquisei no google e cheguei nessa reportagem.

    Parábens pelo trabalho de escrever algo sobre esse bicho: Scanimate

    Gostei muito dos efeitos do clip… fantástico a capacidade do sistema e a criatividade do pessoal… muito bom!

    Sou ligado em audio visual
    Até
    Arnald Fortes

  2. 2 Fernando Noronha de Lara Mota
    29 de outubro de 2008 às 2:24 pm

    Vi Blame it on the Boogie e Justice e adorei!

  3. 3 Filipe Nino
    19 de novembro de 2008 às 10:18 pm

    Na verdade, o nome do grupo é Justice. A música que é DVNO – por sinal, adoro esse grupo.

    E excelente, como sempre!😀

    > Obrigado pelo toque e pela audiência, texto já corrigido!

  4. 4 Fernando Noronha de Lara Mota
    23 de setembro de 2009 às 3:02 pm

    Essa é uma vinheta psicodélica de 1978, é da Antenne 2 e usa Scanimate.

    • 24 de setembro de 2009 às 1:52 pm

      Rapaz, imagina isso as 3 da manhã… Isso só confirma o que eu falei a respeito da trilha sonora dessas vinhetas, e de, por outro lado, como as da Rede Globo, no geral, eram muito melhores. A emissora é da França e atualmente se chama France 2.

  5. 6 Fernando Noronha de Lara Mota
    24 de outubro de 2009 às 12:51 pm

    Pensei em uma paródia da Image West para a Salt Cover: Imagen Oeste.

  6. 8 Fernando Noronha de Lara Mota
    3 de julho de 2010 às 2:23 pm

    Um videoclipe que talvez tenha sido feito com a ajuda do Scanimate:

    New Edition – Popcorn Love

  7. 9 Eduardo Alberto Vargas
    1 de outubro de 2010 às 11:56 pm

    Igor, há uma conta no YT com um monte de coisas feitas em computação gráfica, ainda dos anos 70!

    http://www.youtube.com/vintagecg

    Um dos vídeos é um compilado da Image West de 1981. E há três do mestre dos efeitos visuais Robert Abel. Ele usaba tanto computação gráfica quanto a máquina Oxberry. Três contas de YT oferecem trabalhos do Abel.

    http://www.youtube.com/crystalsculpture
    http://www.youtube.com/crystalsculpture2
    http://www.youtube.com/crystalsculpture3

    Abraços da Argentina!


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